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  • A Psicanálise e a Psicologia ocupam-se dos aspectos que dizem respeito à estruturação subjetiva, isto é, de como e em que medida uma criança pode vir a constituir-se como sujeito, cujo desejo singular permitirá que se aproprie do seu corpo e de suas funções, podendo, a partir daí, desenvolver habilidades instrumentais (fala, aprendizagem, motricidade, etc.) no rumo de tudo que lhe seja significativo.
    Este processo de estruturação psíquica é constituinte do ser humano, e ocorre, ainda que com risco de distúrbios, independentemente da existência de lesõ.es ou doenças em seu organismo. Para melhor enfrentar os transtornos que possam surgir durante o desenvolvimento infantil e que frequentemente se manifestam em mais de uma das produçõ.es da criança, o trabalho psíquico se insere na clínica interdisciplinar, como o elemento que garante que a atenção de todas as áreas envolvidas num tratamento estejam voltada para aquele pequeno sujeito desejante que deverá ser o senhor de todas as suas habilidades instrumentais.
    Esse tipo de intervenção, portanto aborda os modos de relacionamento do sujeito com o Outro, sua significação e sua ressignificação, tanto no âmbito de seu meio familiar como em seu espaço de circulação social.

    A Pedagogia juntamente com a Psicopedagogia propõem investigar as modalidades de aprendizagem e também a relação que o sujeito estabelece com a mesma.
    Pensar a psicopedagogia numa clinica Interdisciplinar requer uma prática diferenciada com relação às questões do aprender, ou seja, pensar não somente nos processos de aquisição do conhecimento, mas também na posição que o saber ocupa para a família e para a criança, o motivo pelo qual o “sujeito” está impedido de aprender. Ninguém faz uma escolha consciente de “não” aprender. Quando isso ocorre é porque algo está fazendo obstáculo, isto é, em face de sua constituição biopsíquica ou nos modos de sua produção no social.
    É função do especialista não só buscar o porquê do não aprender, mas também o quê e como o sujeito pode aprender. Além das produções puramente cognitivas, a psicopedagogia trabalha com as questões práticas do cotidiano garantindo a inserção da criança ou do adolescente no campo social.
    A interlocução com os pais e a escola é importante no sentido de investigar a origem do problema de aprendizagem, uma vez que a causa pode estar ligada à fatores internos ou externos à estrutura individual e a história familiar eou escolar.
    O trabalho pedagógico nos possibilita fazer uma interlocução significativa junto às escolas e a família em relação à metodologia e a proposta curricular. Também, permite desenvolver um trabalho global relativo a inclusão escolar da criança e/ou adolescente com necessidades especiais, criando estratégias facilitadoras para a adequação curricular, respeitando a singularidade de cada um.

    A Estimulação Precoce é uma intervenção terapêutica que se ocupa de bebês e/ou crianças muito pequenas que apresentam problemas no seu desenvolvimento em consequência de Síndromes Genéticas, Doenças Congênitas, Lesões Cerebrais, Deficiências sensoriais, bebês prematuros ou situações que mesmo sem uma causa orgânica diagnosticada provoquem Atraso no Desenvolvimento e Transtornos na Constituição subjetiva.
    Em Estimulação Precoce (EP), não se trata de “estimular funções”, mas fundamentalmente que haja o reconhecimento que antes da patologia, do atraso ou da disfunção seja reconhecido o bebê na sua singularidade. Neste caso, o terapeuta faz uma convocatória ao sujeito-bebê e não ao orgânico, posto que aquilo que seria um puro estímulo venha a se inscrever como algo significante. Esse tipo de intervenção pretende que os pais refaçam o laço inicialmente rompido com a confrontação do real e possam se encantar com seu bebê diferente daquilo que foi idealizado. A partir dessa intervenção terapêutica o bebê pode ocupar seu lugar definitivo na filiação e no desejo parental.

    A fonoaudiologia clínica propõe-se a atender sujeitos com transtornos da linguagem oral ou escrita, tais como alterações na fala, na articulação dos sons da língua, na organização do pensamento linguístico e em determinadas alterações de aprendizagem. Alguns desses transtornos podem estar associados a questões que afetam as estruturas responsáveis pela fala, ou suas funções, como respiração, sucção, mastigação, deglutição e produção da voz.
    A inserção da fonoaudiologia numa clínica interdisciplinar dos transtornos do desenvolvimento infantil permite ao profissional estabelecer que representação tem o sintoma fonoaudiológico manifesto no corpo do sujeito. Cabe ao especialista avaliar se uma alteração de fala faz parte do processo normal de aquisição da linguagem, ou se é um transtorno do desenvolvimento dessa função tão essencial na constituição de um sujeito. E, ainda, reconhecer quando uma manifestação na fala ou na linguagem funciona como sintoma de ordem subjetiva.
    Nesse sentido, o atendimento fonoaudiológico à criança e seus pais, antes de se propor a tratar e eliminar o sintoma, visa à sua ressignificação, ao reconhecer os “erros” como movimentos que o sujeito faz ao inserir-se na linguagem, transmitida por meio da relação com o Outro significante para ele.